Como remar para o pico — o gesto que toda a gente subestima

27 de abril de 2026 · 3 min de leitura

Como remar para o pico — o gesto que toda a gente subestima

Quando vês surfistas experientes a entrar no mar, parece que mal mexem os braços. Pareces tu, mas com metade do esforço, a chegar ao pico antes de ti. A diferença não está na força. Está na técnica de remada — e é onde quase toda a gente perde tempo nas primeiras semanas.

Posição do corpo

Antes do braço, o corpo. O peito ligeiramente levantado, o queixo a olhar em frente, os pés juntos colados na rabeta da prancha. Quando o peito está bem em cima da prancha, o nariz da prancha sai 2 a 3 dedos da água — não mais. Se o nariz mergulha, escorregaste para a frente. Se a prancha está toda submersa atrás, recua-te.

Pés juntos, sempre. Pernas abertas dobram a remada em duas vezes mais esforço.

O braço como uma colher, não como uma pá

O erro mais comum: braços rígidos a bater na água. A mão entra na água com os dedos juntos, ligeiramente em forma de colher, e puxa por baixo da prancha — não ao lado. Imagina que tens uma colher grande e estás a empurrar areia molhada para trás dos pés. Lento, profundo, longo.

Cada braçada deve mover o corpo, não a água. Se ouves muito splash, estás a desperdiçar energia.

Cadência, não sprint

O instinto é remar depressa quando vês uma onda a chegar. Quase sempre é o oposto: remadas longas e ritmadas chegam mais longe que braçadas curtas e ofegantes. Pensa em respiração — uma braçada por respiração, com pausa entre. Quando a onda está mesmo a chegar, aceleras nos últimos 5 metros, não nos primeiros 50.

O caminho mais inteligente

Não atravesses a rebentação no sítio onde estão os outros surfistas. Há quase sempre uma faixa de água mais calma, normalmente do lado, onde a corrente te ajuda a sair. Os locals usam-na sem pensar — quando vires um a entrar pelo "atalho", segue.

O que fazer com a espuma

Se uma série te apanha pelo caminho, há duas opções. Turtle roll — viras a prancha ao contrário, agarras o nariz e os rails, deixas a onda passar por cima. Funciona com pranchas grandes (longboard, soft top). Duck dive — empurras a prancha para baixo com os braços + um joelho, mergulhas debaixo da onda. Só funciona com pranchas pequenas e quando já tens jeito.

No primeiro mês, vais tentar ambas e falhar. Faz parte. O importante é não parar — quem pára nas espumas é varrido para a praia e tem de começar tudo de novo.

Trabalho fora da água

Se quiseres acelerar a progressão, há um exercício único que vale por todos: nadar. Estilo crol, 20-30 minutos, duas vezes por semana. O surf é 80% remar e 20% surfar — quem nada bem, surfa mais.

Onde aprender bem

Os primeiros dias na água com instrutor poupam meses de frustração. As escolas certificadas em Portugal corrigem-te a postura desde o primeiro briefing — vês a diferença logo na primeira sessão. Encontra a praia certa para a tua aula no Surf Today e reserva em poucos toques.